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Clubes de leitura: Vamos nessa?

(parte II: onde se conta sobre como participar de um clube. Ou, quem sabe?, criar um.)

por Antonella Catinari



Na coluna anterior, depois de discorrer um pouco sobre a história dos clubes de leitura, eu havia lançado duas perguntas no ar: e como entrar para um clube? Será que posso criar meu próprio clube?

Para entrar para um clube de leitura na sua própria cidade, é bom ficar atento à programação de livrarias, bibliotecas ou centros culturais. Em muitos desses locais, você poderá encontrar grupos de leitura, ou, pelo menos, outras pessoas que se interessariam em criar um.

Em tempos de quarentena, estão surgindo muitos clubes na modalidade online e, assim, se onde você mora ainda não houver nenhum grupo com a finalidade de leitura coletiva, será possível participar de algum clube de outra localidade. Basta dar uma googleada e tenho certeza de que encontrará algum que seja a seu feitio. Há grupos online que são gratuitos e outros que, por serem guiados por algum professor, são pagos.

Mas se não encontrou nenhum clube de leitura que lhe agrade, pode sempre optar por criar o seu próprio. Criar um clube de leitura é bastante simples. O interessante é que o grupo consiga estabelecer as regras de funcionamento de forma coletiva, para que todos se sintam contemplados, e logo no início. Nesse momento, o grupo deverá decidir se pretende fazer os encontros de forma presencial ou virtual. Caso, em virtude de tudo que nos rodeia, os participantes não consigam tomar essa decisão, o melhor é fazer algo híbrido. De qualquer maneira, virtual ou presencial, sempre é bacana o grupo criar um fórum, que pode ser um grupo de Facebook, Messenger ou qualquer outra opção viável, para ampliar as discussões sobre o que será lido.

Um detalhe: um grupo pode avançar assim que já conseguir três pessoas para ler de forma compartilhada. Para ampliar o número de participantes, vocês poderão criar uma publicidade na internet, colocando posts na rede social que desejarem. Podem convidar amigos, familiares, colegas de trabalho. Creio que no máximo entre 10 e 15 participantes seja o ideal para funcionar bem e para que todos possam participar das reflexões e discussões.

É importante que o grupo decida, logo de início, a periodicidade com que vai se reunir, e, no caso presencial, em que local irão se encontrar. Sei de grupos de leitura que funcionam, por exemplo, numa padaria de uma cidade do interior do Rio de Janeiro. Se for na casa de um dos leitores, o ideal é fazer um rodízio entre os participantes: cada reunião na casa de um dos membros do grupo. Mas o grupo pode decidir por um lugar fixo se desejar, sempre para que tudo seja o mais agradável possível. O intervalo entre os encontros pode variar de acordo com o gênero que se pretenda ler. Para um romance, os intervalos podem ser maiores, de 15 dias, por exemplo; para contos e novelas, podem ser semanais. Caberá ao grupo resolver.

Uma decisão que deverá ter critérios estabelecidos desde o início é a que se refere à escolha do livro a ser lido, pois isso é que dará o formato do novo grupo. Serão romances? Brasileiros? De outros países: quais? Romances contemporâneos? Algum tema que ligará as escolhas? Uma ideia bacana é listar um livro de preferência de cada membro e organizar uma lista de leituras, cuja ordenação pode ser decidida até em sorteio, se o grupo topar. Enfim, é essencial deixar claro a que se destina o clube, para evitar polêmicas posteriores. E, quando os novos membros entrarem para o grupo, já ficarão a par do seu funcionamento.

O grupo pode escolher ler alguns trechos de forma compartilhada no início da leitura e, assim que ela engrenar, passar a marcar páginas a serem lidas para o encontro seguinte. Já as possibilidades de temas de discussão são bastante variadas. Pode cada participante comentar o que gostou mais desse trecho lido e o motivo da eleição do mesmo. Esse trecho deverá ser lido para os companheiros de clube. Ou cada participante pode escolher uma frase do texto que tenha sido marcante na leitura e comentá-la. Podem pesquisar vida e obra do autor e comentar; podem observar o processo de escrita de cada autor; podem assistir ao filme feito a partir do livro. Enfim, há muitas possibilidades, e os tipos de temas e formatos de abordagem aos textos podem, inclusive, ser alternados: a cada reunião, uma modalidade distinta.

Uma dica que aconselho (sem cobrar) é: abra-se para o novo. Experimente ler livros de autores e gêneros que você nunca imaginaria. Com certeza, irá descortinar um novo mundo repleto de surpresas.


Antonella Catinari é professora, escritora e consultora pedagógica.

Volta Redonda, RJ, Brasil

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