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Não sou Nostradamus, mas...

por Marcus Barbosa


Quando fui convidado a escrever sobre tendências de mercado, o mundo ainda girava: o direito constitucional de ir e vir ainda não havia sido barrado pelos efeitos da pandemia, os aeroportos funcionavam normalmente, conectando milhões de pessoas ao redor do globo terrestre. Vivíamos sem o corona. E isso já nos bastava.

Mas no primeiro texto sobre essa temática das tendências de mercado, já havia suscitado um ponto sobre o uso das ferramentas colaborativas e replico um excerto daquele texto que deixei uma provocação: "Antes de falar de tendências de mercado, pergunto: de que adiantaria falar sobre tais tendências, se as ferramentas básicas não são utilizadas por dezenas de usuários no ambiente de trabalho? E se usam, já se questionaram sobre o potencial destas para dar aquele "up" em seu dia a dia? Fizeram, em algum momento, uso de ferramentas colaborativas? Se não conseguiu responder a poucas ou nenhuma destas questões, vocês precisam rever seus papéis para se adequarem às tendências do mercado.”


Isso foi antes da pandemia. E mencionei isso em nossa conversa no início do mês de fevereiro desse ano. Em março, fomos surpreendidos pela figura do isolamento social; algo que não se via desde os tempos da gripe espanhola, quando medidas para o achamento da curva de contágio pelo vírus à época se fizeram necessárias. Mas muitos de nós jamais imaginaríamos viver algo como o ocorrido no início do século XX em pleno século XXI.


E Isso nos obrigou a repensar nossas atividades cotidianas e, claro, fazer uso de várias ferramentas tecnológicas (podemos agradecer inclusive a vários expoentes da tecnologia como Tim Berners-Lee. Bill Gates, Mark Zuckerberg, entre outros...) .


O relatório elaborado pelo Fórum Econômico Mundial intitulado “The Future of Jobs” (o futuro dos empregos – em tradução literal) em 2016, já apontava para uma iminente e necessária atualização da mão de obra para exercer novas funções, ser mais proativa, visto que até o sistema educacional atual precisa urgentemente ser repensado, porém a economia não pode esperar essa nova leva de profissionais, o que obriga empresas, pessoas e governos a se movimentarem em prol desse novo profissional que precisa ser lapidado às pressas.


Parte do texto introdutório do relatório traz a seguinte leitura: “[...] é fundamental que as empresas tenham um papel ativo em apoiar suas forças de trabalho atuais por meio de treinamento, que os indivíduos adotem uma abordagem proativa, por conta própria a aprendizagem ao longo da vida e que os governos criem-nas de forma rápida e criativa, para auxiliar esses esforços.”


Falamos de uma publicação de 2016, e hoje as empresas tiveram que repensar e se reinventar para sobreviver em menos de 30 dias. E isso inclui escolas, universidades, empresas do segmento varejista e até mesmo pequenos empresários que precisam sobreviver para pagar suas despesas. Nunca, em tão pouco espaço de tempo, fizemos usos das TICs – Tecnologias de Informação e Comunicação para viabilizarmos nossas operações do dia a dia.


Então, retomo uma das perguntas de nosso primeiro contato: fizeram, em algum momento, uso de ferramentas colaborativas? Certamente, agora a resposta será outra totalmente diferente da leitura do post anterior.

A pandemia, afora dos impactos negativos na economia a curto prazo, certamente trouxe (e trará) novos horizontes a todos. O repensar das TICs chegou de forma abrupta e acelerada, as ferramentas de apoio para trabalho remoto nunca foram tão utilizadas como nos tempos atuais. Estamos no limiar de uma nova fronteira, onde todos os setores estão repensando como conduzir suas atividades no pós crise.

Nem o Fórum Econômico Mundial, nem a Nós, nem nós, profissionais da educação, podíamos pensar em tantas mudanças em um curtíssimo espaço de tempo, como foi com a vinda da pandemia. E em meio a tantos oráculos que temos conhecimento, trouxe a figura de Nostradamus, legendário personagem da história (que não previu o corona, apenas para deixar claro), que foi médico e um apaixonado pela matemática e astrologia. Muitos atribuem a ele poderes adivinhatórios, em função de suas escritas.

(Continua após a imagem)


Não somos Nostradamus, mas... o que escrevemos logo em nosso primeiro contato aconteceu e nos obrigou a repensar nossa condição de trabalho. Está sendo o fórceps para muitos, infelizmente, mas nos obrigamos a conhecer e nos adaptar a estas novas tendências. E ,certamente, nesse limiar novos caminhos serão desenhados para podermos discutir sobre as tendências de mercado.


Por hora, fiquem em casa e fiquem bem. Em breve, tudo vai ficar bem.

Marcus Vinícius Barbosa é professor universitário e um entusiasta (agora, mais hi-tech) pela educação.

Volta Redonda, RJ, Brasil

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