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O encanto da Inclusão



Um dos maiores dilemas nas escolas é a criação de atividades inclusivas. E essa indagação torna-se um questionamento permanente, com várias perguntas sem resposta. Porém, é preciso conhecer o seu aluno e suas especificidades, as deficiências a transtornos.


Conhecer seu aluno, o que ele sabe, o que será significativo em sua vida e aprendizagem para que as estratégias sejam traçadas, com os objetivos e metas a serem alcançados facilitando o processo de elaboração das atividades, pois,assim, tem-se um caminho e sabe-se por onde começar.


Esse processo de conhecimento, precisa da atenção do professor aos detalhes a cada movimento, fala e olhar do seu aluno, a fim de vencer as dificuldades e os desafios e tornando-o participante ativo do seu processo de aprendizagem.


Porém, a dúvida permanece e os professores sempre se perguntam qual o caminho?


O caminho será sempre o do bom senso, porque não existe método ou receita pronta com todos os passos a serem seguidos e, sim, estratégias que deverão ser analisadas e aplicadas a cada indivíduo na sua singularidade e com o propósito de atingir o que ele precisa em sua aprendizagem.


Todos nascemos com algum conhecimento e, por isso, nunca dizemos que nosso aluno é uma folha em branco. Todos temos conhecimentos inatos e empíricos que se acumulam através de nossas experiências: seja um olhar de aceitação ou negação, ou um toque em sua mão; são gestos simples e cotidianos para a maioria dos indivíduos, são formas de comunicação singelas, mas com muito significado para esses alunos.


Certa vez ouvi de um professor sobre sua dificuldade em ensinar um menino. Este tinha como diagnóstico, síndrome de Down além do autismo. Sua única forma de comunicação era na expressão facial e visual; suas reações não eram verbais e, sim, através de um beijo, um toque de mão, ou um olhar de aceitação. Não escrevia seu nome, nem reconhecia letras, apenas alguns símbolos visuais do seu cotidiano. Esse é seu conhecimento e deve ser aproveitado para ser explorado e traçar o que mais seria necessário na sua aprendizagem para sua autonomia nas atividades da vida diária. Conhecer sua rotina como, por exemplo, o que fazia em casa, se via televisão, que músicas gostava. Esse conhecimento das rotinas foi essencial para traçar as estratégias que pudessem conduzir ao processo de aprendizagens especificas para esse aluno.


E assim, analisando o menino como um todo, elaboramos um plano de desenvolvimento individual dele, o que deixou o professor mais seguro e com clareza em seu trabalho de docência. Uma das estratégias para estimular seu conhecimento escolar, foi através da comunicação com cartões, ou seja, cartões com atividades diárias que eram utilizados para entender os códigos prescritos e normatizados na sociedade, estabelecendo uma rotina. Também eram oferecidos materiais que pudessem estimular sua criatividade, sempre tomando por base seus conhecimentos já adquiridos.


Dessa forma, seu plano individualizado foi sendo planejado e replanejado de acordo com seus interesses, suas especificidades e singularidades.


A inclusão torna-se um encanto quando se faz com afetividade e motivação. Em breve estaremos juntos novamente para falar mais um pouco da inclusão e, juntos, trocarmos nossas experiências e crescermos na troca de aprendizagens.


Regina Coeli é pedagoga, professora universitária e uma eterna curiosa nos assuntos que dizem respeito à Educação Inclusiva.


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Volta Redonda, RJ, Brasil

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